Arquivo da tag: Poluição sonora

Bienal de Arquitetura e o bonde da história!

Com o mote; “arquitetura para todos: construindo cidadania” está acontecendo a 9ª bienal internacional de arquitetura de São Paulo.  E pra minha surpresa há bem na frente da OCA, onde acontece o evento, um bonde.

Como é bom entrar nele, até dia 4 de dezembro estará estacionado no Ibirapuera, e tomara que em breve possamos visitá-lo nas nossas ruas.

A cidade de Stuttgart precisou de 25 anos para fazer a transição do bonde comum para um bonde de alta capacidade, que leva até 45.000 passageiros hora, em cada sentido, no mesmo espaço que em carros são transportados 2,5 mil pessoas pensando numa taxa de ocupação de 1,3 passageiros por carro, o que é a média paulistana.

Interessante conhecer o bonde exposto na Bienal, e saber que têm possibilidades que se adequadas as necessidades paulistanas nesse ramo. O tempo corre, a copa está ai, e cada decisão errada dificulta decisões subseqüentes para a melhoria das cidades.

A idéia do monotrilho, no alto me assusta, a cada estação têm de ser construidos elevadores, plataformas etc… muitas coisas a mais do que simplesmente tirar carros e colocá-lo na rua. Assim teríamos ambientes muito mais agradáveis que elevados como o minhocão. Imagine a tristeza de construirem algo assim na frente da sua casa….

Anúncios

E no inicio, era a palavra!

Muitas vezes sonhamos com mundos ideais, e para que possam acontecer os passos nessa direção de melhora, boas palavras são imprescindíveis. A entrevista que segue nos mostra que as melhorias que precisam ser feitas para uma cidade melhor ambientalmente estão circulando mais, e que com isso concretamente estamos rumando para esse Ideal.

http://videos.r7.com/r7/service/video/playervideo.html?idMedia=4e417fce3d14613cbb13a239&idCategory=188&embedded=true

Salvador se salva?

Têm um pessoal fazendo um abaixo assinado para vlt’s em Salvador, se no fim achar que vale, volta aqui nesse link e assina.

A copa tá chegando, nessa matéria foi escrito que “municípios que receberão a copa, torciam para repasses federais; agora vêem alternativa barata nos corredores de ônibus” segue vídeo do pessoal de salvador:

tá, mas dinheiro pra investir em obras viárias malucas têm. E os 35 bilhões que só a cidade de São Paulo têm de prejuízo por conta do trânsito. Esse dado vêm da revista chamada dinheiro, e coloca na matéria a elevação do custo de fretes que passam por São Paulo. Nessa mesma matéria fala o Rosenildo Gomes Ferreira que “30 bilhões é o custo estimado com mutilações e mortes causadas por acidentes no Brasil”.

E somando a isso as lágrimas de parentes e amigos, em quanto fica?

Quero dormir!

O silêncio perdido
Marco Aurélio Nogueira – O Estado de S.Paulo

Às vésperas de mais um aniversário, a cidade de São Paulo pode estar ganhando um presente inesperado. Nada extraordinário ou especial, mas nem por isso menos interessante. Na regulamentação para 2011 da Inspeção Veicular Obrigatória, introduziu-se uma novidade. Agora, além da verificação da emissão de poluentes e de itens de segurança como freios, pneus e faróis, será também aferido o ruído dos motores.

Ainda não dá para comemorar. O teste medirá o ruído com o veículo parado e “segundo a percepção auditiva e a experiência do inspetor”. Não há, portanto, garantia de que tudo será devidamente ponderado e auscultado. Seja como for, é um começo.

A poluição sonora deveria entrar na pauta urbana. O ruído acompanha a marcha do progresso industrial e da concentração humana nas cidades, o que incluiu a batalha pelo silêncio na plataforma de lutas pelo avanço e pela consolidação da própria ideia de civilização. Ser civilizado seria, assim, ser urbano: polido, educado, não invasivo, discreto, silencioso, responsável, participativo. Como na origem dos tempos, aliás, quando a polis grega foi traduzida na civitas e na urbe romanas, ampliando e entrelaçando seus significados. Palavras como política, cidade, urbanidade, civilização e civismo vieram daí. Cidadão tornou-se o indivíduo com direitos e deveres de cidade, isto é, referidos não somente ao espaço físico, mas também aos espaços públicos, compartilhados em comum com todos os habitantes.

O índice de barulho reflete o padrão de cidadania de uma comunidade e o silêncio funciona como requisito para uma vida mais justa, igualitária e de melhor qualidade, que são precisamente as grandes promessas da civilização. Uma República de cidadãos não cria barulhos superlativos, desnecessários, por sobre os ruídos inevitáveis.

As metrópoles do mundo contemporâneo vivem à procura de silêncio. As mais antigas, sem tantos desníveis sociais e impregnadas de cultura pública, conseguem preservar padrões consistentes de convívio e privacidade. Nelas são muitos os nichos onde há condições sonoras adequadas para a conversa e o repouso. Outras, como São Paulo, que além de novas são também um compósito de formas arcaicas e ultramodernas de vida turbinadas pela miséria e pelo crescimento selvagem, vivem oprimidas pelo ruído, que se converte em fator de risco para a saúde e a convivência.

Não há paulistano que não se incomode com ele. Muitos sofrem sem saber, sem se dar conta de que o barulho invade silenciosamente o sistema nervoso de cada um, desmonta equilíbrios, afeta a audição e o bom humor, perturba o sono e trava a comunicação. Alguns reagem, ora com indignação, ora com violência, quase sempre com a sensação amargurada de impotência. Nada parece deter o ruído crescente.

Barulho intenso, sistemático e abusivo é um sintoma de ausência de regulamentação. Em São Paulo, o poder público não só é omisso na fiscalização dos barulhentos, como dá maus exemplos o tempo todo. O caso dos ônibus paulistanos é emblemático: velhos, sujos, sucateados, são poderosos agentes de poluição sonora. Roncam e guincham pelas ruas da cidade como verdadeiros arautos do apocalipse. O poder público, além do mais, assiste passivamente ao passeio dos caminhões pesados. Só consegue impor restrições inócuas, muitas vezes não respeitadas. Para piorar, não é criativo nem ousado em termos de política de transportes.

À falta de regulamentação soma-se a falta de educação de muitos cidadãos. Ninguém, a rigor, se importa muito com o sossego alheio. Excitados pelo frenesi urbano, os motoristas transformam seus carros e motos em armas contra a vida e o silêncio. Exibem-se uns para os outros o tempo todo, em alto e bom som, como se fossem os únicos donos da cidade. Em casa, exibem sem pudor a potência acústica dos eletrodomésticos. O volume alto é regra na cidade. Os moradores parecem surdos ao problema.

Inexistem campanhas específicas ou mobilizações dedicadas ao assunto. Também não se conhece nenhuma vitória conseguida contra a poluição sonora. O máximo que se obteve, até agora, foi o crescimento das empresas fornecedoras de portas e janelas acústicas, ou seja, o aparecimento de novos negócios e de alguns recursos defensivos, que não atacam a raiz do problema.

É em condições razoáveis de silêncio que se pode ter vida inteligente. Ler e escrever, aprender e ensinar, dialogar e refletir. É no silêncio que se pode descansar. Nada que ver com a paz dos cemitérios, porém. A cidade civilizada reclama o silêncio democrático, no qual tem lugar o ruído das massas e das festas populares, do frenesi da política e das vibrações esportivas. A cidade brasileira, em particular, é alegre, comunicativa e espontânea. Não pode ser cerceada em seu caráter. Que continuemos a ser irreverentes, festeiros, improvisadores, amantes da música, da dança e da batucada, sabotadores criativos das regras tirânicas ou artificiais.

O motorista que buzina alucinado, o ônibus que trafega com o escapamento estourado, o motoqueiro que extrai o máximo de sua moto, a construtora que bate estacas em horários obscenos e o adolescente bem-nascido que barbariza seu prédio não têm relação alguma com o “caráter nacional”. Não são exemplos de espontaneidade e alegria, mas de má-educação. Expressam uma coletividade que perdeu consciência de si mesma, que se está tornando indiferente e pulverizada em ilhas de individualismo possessivo. São deformações e caricaturas perversas de uma cultura fundada na informalidade excessiva, produtos da modernização desregrada, excludente e predadora em que vivemos.

O ruído que vem com o progresso não é uma fatalidade, pode ser domado e civilizado. São Paulo tem potência para tanto. Precisa, porém, traduzir essa potência, convertê-la em cidadania ativa, o único fator que pode efetivamente atuar como força propulsora do silêncio democrático, inerente à cidade republicana.

PROFESSOR TITULAR DE TEORIA POLÍTICA DA UNESP. EMAIL: M.A.NOGUEIRA@GLOBO.COM

Surpresas da Publicidade

Agora até quem faz e vende carro já entendeu que se não dividir o espaço com as bicis vai perder de lavada. O que devem pensar hj é que é melhor conviver que sumir. Aqui a mentalidade pró carro ainda é grande, mas logo cai, é só melhorar os coletivos que cai. Essas indústrias deviam é investir em coletivos pra garantir seu futuro.

 

3 na condução é um roubo

A cidade, com trânsito caótico, ar nojento, barulho absurdo ganha mais um incentivo para que se compre mais motos matadoras e carros violentos.

como?

A pouco acordei com um grupo de jovens buzinando e gritando, pareciam estar bêbados. Passaram em frente de casa com seu carro e gritavam “acorda vagabundo!”, às 5:51 da manhã de um feriado. Me pergunto diante de um copo de café o que faz com que esses jovens acreditem ter esse direito? Voltando de uma balada, provável que com umas e outras na cabeça atravessem um bairro inteiro buzinando e gritando?  Descrente ao longe eu ainda os escutava.

Rudyard Kipling, um dos escritores favoritos de Freud, em seu mais famoso livro, “O livro da Selva” nos fala dos comportamentos humanos por meio dos animais. Os macacos são os desorganizados bandarlogs, que nunca terminam uma tarefa e de tudo fazem algazarra. Haja fôlego para suportar esses macacos humanos, que tanta dificuldade têm em lidar com sua liberdade.