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À Familia de Antonio Bertolucci

Tirei essa foto no começo da noite, no meio da névoa a canela me parou, me fez sentir a alegria de sua simples existência.  Alegria misturada a angustia de pensar que um dia ela pode não mais estar ali.

Não sabia do ocorrido com o Sr Antonio Bertolucci. Na estrada, às 21h recebi um sms comunicando que um senhor de 68 anos falecera na avenida sumaré enquanto pedalava.  Quando soube vim triste…., sentindo a dor de perder um amigo que não conheci, dedico a ele e sua familia essa foto, e essa breve oração atribuída ao Almirante Horst.

Dai-nos força, Senhor, para aceitar com serenidade tudo o que não pode ser mudado.

Dai-nos coragem para mudar o que pode, e deve ser mudado.

Dai-nos sabedoria para distinguir uma coisa da outra.

Têm muita gente lutando para melhorar essa lamentável realidade Paulistana para com o uso da bici como meio de transporte. Isso pode, e vai ser melhorado!

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Sobre o morrer, a morte e a despedida

Li um poema hj sobre o tema, que infelizmente não tenho a capacidade de traduzir como gostaria, mas, vamos lá…

“Frente a minha morte não temo,
apenas temo pela morte dos que me são próximos.
Como viver se eles não estiverem mais aqui?
Sozinho na névoa tateio um caminho,
deixe me ir com vontade para o escuro,
ir doe menos da metade de ficar.
Aquele que sentiu o mesmo sabe,
aqueles que não concordam que possam me desculpar,
mas pensem: a própria morte apenas se morre,
mas com a morte dos outros temos de viver.

Mascha Kaléko

Na semana que passou, ciclistas homenagearam a Márcia que nesse dia 17, teria completado 42 anos de vida; não fosse a pressa demasiada de um motorista de ônibus.  Segundo a organização Chega de acidentes que iniciou seus trabalhos no mesmo dia 17, em pouco mais de um ano tivemos mais de 44 mil mortes nas ruas e estradas do Pais. A pergunta que continua no ar:

Foto: Palmas

Obrigado Mulheres!

Obrigado Márcia!

Há alguns dias pensamos muito em você, companheira de luta. Li há pouco algumas coisas escritas por nossos co combatentes, me bateu uma dor, e um sentimento de imensa gratidão… Há um ano você caiu em meio a uma luta que continua difícil, ser respeitado no trânsito como ciclista. “Eu transito, você congestiona!”  você disse. Frase que continua cada dia mais verdadeira em nossa cidade caótica.

As políticas continuam servindo aos interesses  individuais em detrimento da coletividade, ao invés de bons ônibus andam investindo em recapeamento de ruas e em muita propaganda. Triste realidade que precisamos continuar combatendo.

Obrigado pelas batalhas travadas ao nosso lado. De um ano para cá, os outros participantes do trânsito, de modo geral, têm sido mais gentis quando pedalo pela cidade.

Obrigado Zilda!

Lutadora que caiu procurando ajudar crianças de um pais distante, e muito pobre. Ajudou muitas já, e disse no programa roda viva que era muito criticada por suas idéias e ações. Achavam que ela deveria lutar por políticas publicas só que ela queria ver as coisas acontecerem. Pôs a mão na massa e criou a pastoral da criança e da pessoa idosa assistindo as pessoas nos momentos de maior fragilidade de suas vidas. Obrigado!

O que une elas além deste dia chuvoso em que lamentamos suas perdas? Lutaram pelo que acreditam! E a esperança que nos trazem, quando conhecemos um pouco de suas biografias,  nos mostra que viver num mundo melhor É possível, depende de todos e de cada um.