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Lula lá e nós aqui!

Agir local:

Uma questão de legitimidade!

Muita noticia de Kopenhagen. O que intriga são as possibilidades que restam para um acordo efetivo, até por que cada um acredita no que diz, e de certa forma têm legitimidade para dizer o que diz.

Há interesses tão diversos em jogo… Hoje a presidente da convenção abdicou do posto depois de sofrer diversas pressões por estar favorecendo os países, ditos, ricos.

Digo “ditos ricos”, pois pouco lhes resta de seus ambientes naturais originais. Os chamados pobres são os ricos em biodiversidade e em serviços naturais em geral. Talvez por isso a pré-candidata do PT à presidência tenha cometido esta gafe absurda, onde diz que o meio ambiente atrapalha o desenvolvimento sustentável… talvez ela acredite nisso. Ou faça referência às disputas travadas entre ela e Marina Silva.

Para que pessoas que não têm real interesse pelo assunto vão até lá? Apenas holofótes? Até o MotoSerra, pra quê?

Voltando ao que interessa, uma Europa “rica” ao ver de um Brasil “pobre” deve baixar seus subsídios agrícolas. Assim poderíamos ter mais pessoas trabalhando no campo e geráriamos mais divisas para o pais que deixaria de ser pobre. Legitimo.

Agora para o governo europeu é interessante pensar em baixar mais ainda uma produção agrícola mínima que ainda mantém? E se houver uma guerra e por lá não haver mais uma semente, nenhum trator funcionando ou agricultor competente, o que fazem? Não… não é interessante para a europa. Legitimo.

Nesse contexto para o governo Brasileiro é importante anistiar agricultores que desmataram além do permitido, afinal falta comida no mundo. Num mundo em que aumenta a olhos vistos a obesidade? Falta é distribuição de comida, de renda. E mais importante, falta educação.!

Uma pessoa educada, seja pobre, rica, verde ou laranja é boa de se conviver.

Numa tarde com um pouco de chuva escuta-se rádio, na capital econômica do Brasil, e comentários a lentidão de quem trafega pelas ruas de automóvel são transmitidos a todo momento. Ainda bem que alguns destes comentários vêm de repórteres de bicicleta, um pouco de racionalidade em meio ao caos. Como me disseram, quem tá dentro de um carro não pode reclamar da lentidão.

Certamente a melhor coisa que vejo no fato de termos bancado a ida de mais de 700 representantes do governo ao evento, é eles conhecerem um pouco das possibilidades de tornar as cidades mais humanas com o planejamento cicloviário. Vídeo bacana sobre o que bancamos de nossos políticos verem.

Dois dias para terminarem as negociações, onde parecem haver poucas chances de consenso, que haja aprendizado mútuo do que fazer. Assim poderão melhorar além dos problemas das emissões a qualidade de vida das pessoas que é o que importa.

E nesse quesito os políticos europeus têm muito mais legitimidade para argumentar.

Baseando na participação dos políticos Brasileiros me parece mais problemático  o tamanho do ego de cada globalizado, que o aquecimento global. Por que não entendem que as soluções são comuns, mas diversas. Cada um deve seguir a máxima do pensar global e agir local. Sem querer salvar o mundo.

Os dinamarqueses tão acostumados com bicicletas, já devem estar de saco cheio de aviões e helicópteros. Algumas das noticias de hj assustaram:
Emissão do evento deve ser o triplo do previsto
Enquanto milhares se reúnem em Copenhague para discutir as mudanças climáticas, a conferência em si vai gerar uma quantidade de carbono comparável à de uma cidade de 100 mil habitantes. Os organizadores da COP-15 subestimaram o número extra de pessoas na capital dinamarquesa – apenas de credenciados são 45 mil, além de milhares de manifestantes. A emissão calculada inicialmente era de 46 mil toneladas, mas poderá ser três vezes maior. Apesar dos apelos para que se evitassem os meios de transporte mais poluentes, o número de limusines alugadas mostra que nem todos deram atenção. Foram mais de 1,2 mil, o que obrigou a encomendar carros da Alemanha e da Suécia. Apenas cincos carros híbridos foram alugados – OESP, 16/12, Vida, p.A22.

Hibridos? Pra que carros?

Que pataquada.

A palavra mais sensata quem diria, veio da china:

A China na conferência de Copenhague
“A posição da China permanece a seguinte: persistir no regime estabelecido pela Convenção-Quadro da ONU sobre as Mudanças Climáticas e pelo Protocolo de Kyoto e no princípio de ‘responsabilidades comuns, porém diferenciadas’ -os países ricos devem assumir a redução de emissões no prazo médio de forma substancial e quantificada, e os países em desenvolvimento devem fazer esforços para mitigar tanto quanto possível as emissões de gases-estufa e se adaptar às mudanças climáticas de acordo com suas condições, com o apoio financeiro e a transferência de tecnologia dos países desenvolvidos. Os países em desenvolvimento somente conseguem salvaguardar efetivamente os seus próprios interesses na COP-15 quando fortalecem a confiança mútua, o consenso e a solidariedade entre si e lutam lado a lado”, artigo de Qiu Xiaoqi, embaixador da China no Brasil – FSP, 16/12, Tendências/Debates, p.A3.

e do brasil, cada pérola matam um senhor de 72 anos:

Ambientalista francês morre após sofrer agressões no Pará
Um biólogo francês que defendia a preservação da Amazônia morreu anteontem em decorrência de agressões sofridas em Santo Antônio do Tauá (PA). Pierre Edward Jauffret, 72, havia sofrido traumatismo craniano há 15 dias, provocado por golpes na cabeça. Ele foi encontrado ainda com vida por um de seus filhos na porta de sua casa, que fica dentro de uma reserva de 25 hectares, da qual era o dono. O francês chegou ao Brasil em 1963. Era especializado no estudo de borboletas da região, das quais tinha uma coleção científica. Segundo o filho Jacques Jauffret, ele e seu pai vinham sofrendo ameaças de morte havia mais de um ano, por conta de suas tentativas de evitar o desmatamento e a degradação ambiental na área – FSP, 16/12, Cotidiano, p.C7.

COP 15

Diversos modelos científicos projetam cenários catastróficos – mas não improváveis – para o planeta por conta do aquecimento global ocasionado pelo aumento de emissões de gases de efeito estufa. A partir de algumas dessas projeções, o sociólogo marxista Michel Löwy analisa a relação entre o aquecimento global e o modo de produção hegemônico. Suas ideias estão em artigo publicado na edição de dezembro do jornal Le Monde Diplomatique.

Para ele, é insatisfatório responsabilizar o homem pelo cenário preocupante que se apresenta para o futuro desta geração. Para Löwy é preciso fazer uma crítica do modelo de produção vigente.

“O homem habita a terra há milênios, porém a concentração de CO2 somente começou a se tornar um perigo há poucas décadas. Como marxistas, apontamos: a culpa é do sistema capitalista, com sua lógica absurda e míope de expansão e acumulação infinita, com seu produtivismo irracional, obcecado pela busca do lucro”, diz o sociólogo.

Ele defende haja uma convergência entre a pauta dos ambientalistas e socialistas, para forjar um novo modo de organização da produção e da distribuição de bens e riquezas, de modo a romper com a lógica capitalista da expansão infinita e aderir a outro modelo, um “ecossocialismo”.

“O que está em jogo mundialmente nesse processo de transformação radical das relações dos seres humanos entre si e com a natureza é uma mudança de paradigma civilizacional, concernente não só ao aparelho produtivo e aos hábitos de consumo, mas também ao habitat, à cultura, aos valores, ao estilo de vida”, diz.

na integra aqui.

nós aqui ainda temos de conviver com erros primários como a nova marginal, mais no ecourbana.

Pensar que a delegação Brasileira levou 700 pessoas a Kopenhagen. Será que haverá uma compensação por estas viagens todas? Uma compensação certa que teremos é essas pessoas conhecerem esta bela cidade e pensarem se não podemos de alguma forma nos aproximar disso, ampliar politicas de incentivo a transportes coletivos e uso da bicicleta, além de restrições de acesso a áreas centrais das cidades.