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Xingu somos nós!

Interressante a seqüencia de noticias

Vale, Votorantim e Andrade ingressam em Belo Monte
Executivos da Eletrobras finalizam a composição do consórcio que irá construir e operar a hidrelétrica de Belo Monte. O consórcio terá companhias que integravam o grupo rival no leilão como a Vale, a Andrade Gutierrez e a Votorantim. Como as regras atuais não permitem que as empresas derrotadas entrem como sócias estratégicas (investidoras que entram depois do leilão, mas antes da outorga da concessão), a solução será formalizar a adesão dessas empresas após a assinatura do contrato, fazendo uma nova reestruturação societária da SPE (Sociedade de Propósito Específico). Para receber o mais rápido possível os novos sócios, a Eletrobras barganha na Aneel a antecipação da assinatura do contrato de concessão da usina de Belo Monte em dois meses, de setembro para julho deste ano – FSP, 28/4, Dinheiro, p.B3.

Leilão terá ‘Belo Monte’ em energia renovável
A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) cadastrou 478 empreendimentos para o próximo leilão de energia renovável, que será realizado ainda neste primeiro semestre. Ao todo, os projetos têm capacidade instalada de 14.529 MW, superior aos 11.233 MW da Usina de Belo Monte. Participarão do leilão usinas eólicas, a biomassa e Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs). A possibilidade de licitação de energias alternativas é um dos argumentos de ambientalistas contra a construção de Belo Monte. “Tanto a fonte eólica quanto a biomassa são complementares à geração hidrelétrica”, disse Maurício Tolmasquim, presidente da EPE. A maior parte do volume cadastrado para o leilão é de centrais eólicas: 399 projetos, com potência de 10.569 MW. Dezoito PCHs se cadastraram, com oferta total de 255 MW – OESP, 28/4, Economia, p.B7.

Votorantim anuncia mais oito fábricas
A Votorantim Cimentos anunciou ontem a construção de oito novas fábricas no Brasil até 2013, ao custo de R$ 2,5 bilhões. Duas serão no Pará, para atender possivelmente à Hidrelétrica de Belo Monte. As outras serão em Maranhão, Goiás, Mato Grosso, Paraná, Ceará e Bahia. A empresa prevê alta de 5% ao ano no consumo de cimento em grandes obras de infraestrutura, habitação popular e obras comerciais. A Votorantim está negociando com o consórcio Norte Energia o fornecimento exclusivo de cimento para Belo Monte. Será necessário 1 milhão de toneladas de cimento para a construção da usina. A empresa já é fornecedora exclusiva de cimento para as usinas hidrelétricas do Rio Madeira (RO). A expansão deve resultar em 5.100 novos empregos – OESP, 28/4, Economia, p.B17; FSP, 28/4, Dinheiro, p.B3; O Globo, 28/4, Economia, p.22.

‘Espetacularização’ afastou investidor, diz Suez
Presente na construção da usina de Estreito, na divisa dos Estados do Maranhão e de Tocantins, além de Jirau, no Rio Madeira, o grupo Suez optou por ficar de fora do leilão da usina de Belo Monte e negou que esteja negociando participação junto ao consórcio vencedor. Segundo o diretor de Desenvolvimento de Negócios da GDF Suez, Gil Maranhão, “foi uma série de fatores que desestimulou o investimento”. Além da tarifa ter ficado abaixo do esperado e da complexidade da obra, ele disse que os movimentos contrários à construção da usina ganharam muita força. “A partir do momento em que movimentos de protesto foram para as ruas, ou celebridades internacionais passaram a se posicionar contra, e isso ganha força, afugenta os investidores”, argumentou – OESP, 28/4, Economia, p.B8.

Belo Monte: divisão estratégica da obra
As seis construtoras do consórcio Norte Energia, que venceu a disputa para operar Belo Monte, apostam na obrigatória divisão da obra em blocos para retirar competitividade das três grandes empreiteiras – Camargo Corrêa, Odebrecht e Andrade Gutierrez – e abortar a entrada do grupo na engenharia civil do empreendimento. Esta é avaliada em pelo menos R$ 14 bilhões dos R$ 19,6 bilhões do orçamento da usina. Elas acreditam que, se Belo Monte tiver cinco frentes de trabalho, o que daria menos de R$ 3 bilhões por cada, as gigantes não terão como oferecer o menor preço e ficarão fora da maior obra do país. A entrada da Camargo, da Odebrecht e da Andrade na Sociedade de Propósito Específico (SPE) – que assinará a concessão da usina – está fora de cogitação, na avaliação das empreiteiras do consórcio – O Globo, 28/4, Economia, p.22.

Xô, apagão !!
Integrantes do consórcio que venceu a licitação de Belo Monte fizeram sondagens com os tucanos sobre o compromisso do pré-candidato José Serra, caso ele vença as eleições, com a realização da obra. Eles estão preocupados com a demora no licenciamento ambiental da usina. Após amargar um apagão e um racionamento de energia, os especialistas tucanos da área disseram que o PSDB não vai endossar o discurso de ONGs e movimentos sociais contrários à obra – O Globo, 28/4, Panorama Político, p.2.

Belo Monte?

Este artigo do Instituto socioambiental traz um panorama amplo sobre a história da luta contra usinas hidrelétricas no rio Xingu.  Em 89 os índios promoveram um encontro no qual reivindicavam a participação nas decisões que eram tomadas para a região em que vivem. E que diretamente -lhes afetam. No governo de FHC a construção desta usina era vista como algo estratégico em seu plano “Avança Brasil” e para Lula e o PAC continuou sendo. A ponto de afirmarem que procuradores que questionarem a obra agora, depois de concedida a licença prévia pelo IBAMA, serão processados.

O governo governa para as pessoas não? Por que elas não podem manifestar suas opiniões por meios legais? Como fica o imaginário daquelas populações que nos podem dar muitas lições sobre sustentabilidade ao verem o desrespeito com que são tratados?

Fui ler um pouco mais sobre isso hj e me deparei com o artigo do Washington Novaes que nos explica sobre diversos números e nos põe a questão do quanto é inteligente, ou não, nos dedicarmos a produção de alumínio de forma subsidiada pelo governo. Por que essa energia de belo Monte não é pensada para as pessoas da região, e sim para uma indústria que beneficia a Bauxita para o ganho de alumínio. Assim podemos beber bastante cerveja no carnaval. E vêm a contra argumentação da reciclagem de latinhas que é alta. É, é alta, tão alta quanto a miséria daqueles que correm as ruas atrás dos foliões para garantir uma vida minimamente decente.

Se analisarmos os argumentos do artigo do WN e os daqueles que serão diretamente afetados pela obra podemos perceber que para eles de belo não têm nada nessa usina prestes a ser licitada. Aliás, pode ser que esse estrondoso gasto público (16 bilhões) com um mega projeto gere é um belo monte de merda. Problemas sociais e econômicos para os que realmente precisam do apoio do governo.

E de belo perderemos paisagens como esta que são hoje o meio em que vivem ribeirinhos e povos indígenas. Assim como já perdemos sete quedas e Tucurui estamos prestes a perder mais este rio  que alimentará a seta de ouro do consumo.  Por que não pensar em muitas pequenas usinas interligadas?