Dias de Julie

Sexta de manhã, há uma semana e dois dias, minha mãe me ligou esbaforida, quando atendi escutei sua voz tensa dizendo “ainda bem, vc tá ai”,  me assustei num primeiro momento… até entender que o problema era eu. Ela escutou no rádio sobre a morte de um ciclista na Paulista.  A partir desse momento, comecei a ligar para alguns amigos que passam ali, com coração apertado. Me sentia um grande egoista com meu desejo de que fosse uma pessoa que eu não conhecesse. Chegando em casa, sem conseguir trabalhar li e-mails, escutei rádio, tentei entender o que tinha acontecido.  Um telefonema me falando um nome, outra ligação pra uma jornalista amiga confirmando e o mundo desabou, era uma pessoa que eu conhecia…

A Julie, moça de sorriso fácil, de luz forte em seus olhos, com uma forma bacana de propagar idéias para um mundo melhor… não queria acreditar. Nos pedais verde brincava com quem tivesse perto, distribuia carinho e atenção. Me tem invadido o sentimento que estar na rua de bici é como estar no mar, sujeito a forças maiores. Sabemos de nossos direitos como ciclistas, mas as pessoas ao redor ignoram esses direitos, é como se a luta por espaço não me disse consequencias até que o pior aconteça (vale ler este artigo). Ai a desculpa é que foi acidente, mas a atitude nunca é de cuidado e atenção com o outro. Fui procurar esse video:

sei que comparações são esdruxulas muitas vezes, mas o bom sentimento que traz essa rua é algo pelo que vale a pena lutar. Ainda me sinto de luto, ainda me encho de um sentimento de revolta ao lembrar do que aconteceu. De luto, lutaremos! Obrigado por ter compartilhado seu sorriso conosco…

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Monotrilho da Ainhanha Mello

Primeiramente gostaríamos de dizer que somos totalmente a favor de transporte coletivo! Carros são úteis quando usados com moderação.

A avenida Luís Inácio de Ainhanha Mello talvez receba um mono Trilho, os planos são esses, mas os moradores estão indignados com as obras , como nos mostra essa reportagem. Reportagem que também fala sobre o corte de 360 árvores adultas, para cada qual serão plantadas quatro mudas. Mas isso não compensa a função ecológica que essas exercem hj  me explicou o pessoal do Árvores Vivas.

Assim é a Avenida:

São quatro pistas margeadas por lojas de carros e serviços para esses. A idéia é fazer um trem suspenso, o chamado Monotrilho, ou aerotrem pra quem já viu esse filme antes. As plataformas de embarque precisam de elevadores, uma pane lá em cima têm uma logística complexa de execução.  Ele passaria por aqui:

Há uma previsão de uma ciclovia ali também num trecho de pouco mais de 10km. Pelo que se vê na imagem parte integrante da estratégia de convencimento para a implementação do monotrilho. Talvez isso tenha haver com esse dado de que metade dos paulistanos quer mais ciclovias.  Entendi que a ciclovia será cercada por carros, a 60km/h, algo assim:

Não imagino crianças pedalando ali para ir a escola, nem idosos para ir ao mercado. De quantos em quantos metros há uma passagem para a calçada? Como é essa calçada?

Pra não ficarmos no pessimismo gostaríamos de postar outra imagem,  de um trem de capacidade semelhante no chão:

Dublin – Irlanda

Na cidade de Stuttgart, Alemanha os trens de superfície são maiores, têm maior capacidade que o monotrilho e que esses bondes, quem sabe teríamos de olhar para esses ao pensar em trens de superfície para são Paulo e região metropolitana.

Uma coisa é certa, é uma ilusão pensar que essas soluções virão rapidamente. Se os paulistanos sonham com rios limpos e transporte rápido para 2040 é hora de conhecer as possibilidades, planejar, incluir as pessoas dos bairros no processo decisório e então executar os planos amplamente conversados. Só assim poderemos viver numa cidade onde o sonho não é fugir no fim de semana.

Sobre a fome de viver

Primeiramente bom ano novo! Que os erros cometidos valham como aprendizado pra esse ano, minha meta!

Gostaria de juntar aqui três videos, que vi nesse inicio de ano.

Esse primeiro me lembrou as ocupações que marcaram 2011, talvez deveria vir depois do segundo, que é longo (1,5h), sei que poucos disporão do tempo pra ver, aos que puderem, vejam,  é muito bom! Muito bom mesmo. Como poderá ver, temos comida o bastante, o problema da fome é um problema na matrix/ego/capitalismo.   A partir dos 60 min há uma parte impressionante falada em português tb, o video foi feito em 2004.

A ordem das coisas é muito louca…. se é que há uma ordem. Ano passado, no mesmo momento em que do Brasil exportamos/transportamos moinhos de energia eólica para os estados unidos, importavamos moinhos de mesma capacidade da Índia.  Talvez seja a antiga ordem dos tubarões… que continua naturalizada.

Nesse começo de ano vivemos o drama das chuvas fortes em Minas, assim como ano passado vivemos esse drama  em petrópolis, e no ano anterior em angra dos reis. Olhar os caminho percorridos e pensar, será sempre nossa tarefa, pra isso de alguma forma temos de pensar nossa relação com a grana, essa que, como diz o poeta; constroe e destrói coisas belas, em intervalos de tempo cada vez mais curtos. Bom 2012 pra nós, ah… o mundo não vai acabar!

Conseguimos mais um ano!

Pé de pitanga

Hj sai de casa com um plano, ir ao centro da cidade, mas o calor me jogou de volta e resolvi passar por dentro da usp, visitar algumas plantas que adoro, que plantei e cuido a muitos anos. Me sentei um tempo junto desse pé de pitanga com a boa lembrança de ter visto duas crianças em seus galhos nesse ano, quando estava frutificando.

Refleti sobre o passar do tempo, sobre o fazer hj para colher no futuro, pensei em amigos,  nas lutas de que participei esse ano, na vontade de poder plantar pitangueiras e ver crianças penduradas em seus galhos. Deu vontade de agradecer que estamos perto de conseguir mais um ano, mais algumas pitangueiras plantadas, mais algumas lutas travadas que entre tropeços e quedas sempre possamos recomessar. Obrigado, e um bom ano!

De olho na estrada, de olho na vida!


O video é forte, que seja um bom fim de ano para nós!

De 70 km/h pra 60, eu curto!

Hj é dia de festa pra uma grande torcida de futebol, os torcedores passam pela rua próxima de casa em alta velocidade, buzinando e festejando. Suponho que alguns dos que conduzem seus carros em direção à Paulista tenham bebido um pouco também.
Fiquei feliz de chegar bem em casa, e pensei em como reclamam as pessoas da diminuição do limite de velocidade nas ruas da cidade de São Paulo de 70 pra 60 km/h, precisei rever esse filme que curto, e compartilhá-lo no mundo virtual por onde temos vivido partes consideráveis de nosso tempo de vida.

Massa!

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