À Maria Rita Kehl

Em uma de suas colunas no Estadão, me emocionei profundamente. Ao ler que em sua opinião deveria haver um embargo a todo e qualquer edifício a ser construído na cidade de São Paulo, me vinham lágrimas aos olhos, de alegria. Naquelas palavras me aproximei emocionalmente de uma pessoa com quem jamais conversei, me senti feliz por lê-la num jornal de grande circulação, já a conhecia de outras paragens. Compartilhava de sua opinião sobre a cidade, além da profissão. São Paulo deve parar, reavaliar-se para depois continuar sua caminhada, talvez numa direção ligeiramente diferente…. Talvez como uma pessoa que se dispõe à Psicoterapia e reavalia seus caminhos e escolhas. Veja a imagem abaixo:

é a imagem de um tumor pulmonar

Já esta é uma imagem de Satélite da cidade de São Paulo

A cidade de São Paulo se alastra, impermeabiliza, verticaliza, constrói estádios para copas que serão usados uma, quando muito duas vezes na semana. Mas poderia ao invés disso usar a pouca área verde restante para parques que poderiam ser frequentados todos os dias, ou para bairros verdes. É tudo uma questão de escolhas, de caminhos.

Os caminhos escolhidos têm como objetivo gerar mais para os que já têm muito. Digo isso por perceber no dia dia que muitos imóveis estão vazios, muitos mesmo… e as pessoas se deslocam de longe, pois esses imóveis são mantidos como reserva de mercado. Enquanto isso, no longe se faz novas frentes de contrução nas operações vila Sônia, na verticalização e adensamento da Lapa. Verticalização num molde besta, que vai precisar de x porteiros e y faxineiros, de preferência baratos, terceirizados, sujeitos a relações de trabalho péssimas. Quanto as pessoas estão dispostas a pagar pelos humildes que fazem a segurança de seus bunkers? Que limpam sua sujeira dia após dia e ainda são mal tratados.

Compartilho novamente da opinião da Maria Rita Kehl no artigo que levou a sua lamentável demissão.  Muitos vivem em gaiolas de ouro, reclamando de pessoas que não querem se subordinar por salários ruins e condições psíquicas péssimas. Será justa essa reclamação? Se melhoraram de vida nos últimos anos estão errados em votar numa continuidade? Não quero pensar agora sobre a forma complicada de se fazer política em nosso país.

Quero só dizer de sua lamentável demissão, da tristeza que sinto como leitor desse Jornal. Preciso sobre isso concordar novamente com suas palavras, um jornal que demite um de seus colunistas por ter uma opinião discordante, e que reclama da censura que lhe é imposto é no mínimo bastante incoerente.

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