Ciclocidade e o PDE

por Mona Caron

O Plano Diretor estratégico (PDE) da cidade de São Paulo sofreu diversas pressões para ser alterado nos últimos meses. Existe nele uma regularização para o que pode ser construído, onde, e a que preço. Por exemplo, é mais barato construir prédios comerciais onde não há tantos. E residenciais onde há falta destes.

Assim busca-se um equilíbrio entre moradias e postos de trabalho, fazendo com que diminuam as distâncias a serem percorridas no dia a dia. Graças a movimentações da sociedade civil a revisão do PDE tomou um caminho diferente. Alguns vereadores quase (triste esse quase…) perderam seus mandatos, por terem recebido verbas irregulares para suas campanha de setores ligados à construção civil.

O que a associação ciclocidade, prestes a nascer têm haver com isso? Segundo Paiva “Uma ciclocidade seria uma cidade cuja mancha urbana estaria contida em um circulo de seis quilômetros em torno de sua área central, ocupando, portanto, uma área de 113km².” Não é o caso de São Paulo como todo, mas pode ser o caso de São Paulo se seus bairros forem minimamente planejados, como proposto pelo PDE.

É possível melhorar cidades. Por exemplo New Castle, no norte da inglaterra que antes era conhecida por seus altos níveis de poluição atmosférica, esse ano foi eleita a cidade mais verde deste pais. Aqui mesmo temos o exemplo de Cubatão, que na década de 80 era campeã em níveis de poluição e hoje já recebe novamente visitas de pássaros migratórios que haviam sumido.

estudos que ligam a saúde das pessoas à qualidade de suas moradias, e morar com qualidade certamente também inclui não ter de se sentar no interior de um carro por três horas todos os dias. São horas em que as pessoas dedicam sua atenção apenas ao ato de dirigir, ou pelo menos assim o deveriam. Enorme desperdício de tempo que poderia ser minimizado caso existissem planos de longo prazo para as cidades, e que atendam aos anseios de seus moradores. Uma pena que o que vemos é o mercado da construção civil e da especulação imobiliária com as rédeas na mão.

Neste momento estamos a construir a São Paulo de 2020, uns pensam em mais pontes para carros (já licitadas) outros em pontes para pedestres e ciclistas, em um rio mais limpo em ruas seguras. É ai que a associação busca inserir se, no sonho de uma cidade que leve mais em conta a dimensão humana. E certamente viver a cidade sobre uma bici é mais humano que vivê-la de dentro de um carro a 60km/h.

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