Dia 14… 10 meses depois.

Mais uma triste bici fantasma é fixada, dez meses depois da morte da Márcia. Agora no Largo do Socorro, zona sul de São Paulo, e desta vez acompanhada de uma vassoura branca em homenagem ao gari Antonio, que junto com o ciclista Fernando esperava abrir o farol no largo do socorro.

PB140031 (Small)

Ao invés de fazer a curva à direita foi reto o ônibus. Na direção onde, nesta foto, se encontram seus colegas de profissão.

Ali ajudaram a  deixar uma mensagem. Mensagem cheia de vida…

PB140035 (Small)

No trânsito há vidas. Vidas em trânsito!

Um espaço para o encontro, para o potencial reencontro, é isso que devem ser as ruas, não espaços de disputa e desencontros. Como fica a cabeça de quem perde uma pessoa querida numa situação como esta? Como as crianças destas familias ficarão tranqüilas numa travessia agora? Haverá um suporte para estas por parte da companhia de ônibus? E os varredores, com que cabeça cuidarão daquele setor?

PB140038 (Small)

O triste encontro de uma bici e uma vassoura.

Resta nos lamentar mais este triste episódio e de alguma forma trabalhar para que estas homenagens se tornem o mais raras possíveis. Pesa saber que várias esquinas, vários espaços de nossas cidades estão tão violentos. Sujeitos à lei do mais forte, e a uma irracionalidade do individualismo que busca constantemente solucionar problemas coletivos de forma individual.

Poderiam ao invés de fazerem o mono-trilho para a copa, que vai do aeroporto ao estádio pensar em outros caminhos, pensar em fazer na rua mesmo um bonde do terminal Varginia ao Sto. amaro, ou do Sto. Amaro ao Bandeira, ou os dois. E deixar que os convidados da copa, usem taxis para ir ao estádio.

O governo parece estar fora dos trilhos, sem objetivo… ou com objetivos equivocados passa a  investir no que acredita trazer mais frutos políticos.  Pode ser que num primeiro momento chiem todos ao transformar um corredor de ônibus em bonde. Mas não podemos ir  numa direção oposta ao que precisamos. Cada passo na direção errada nos afasta mais de nossos objetivos.

PB140042 (Small)

Peça de arte em frente a assembléia do estado de São Paulo

Anúncios

2 Respostas para “Dia 14… 10 meses depois.

  1. É uma triste realidade…….como ciclista, sinto como se fosse a mim ou a alguém muito próximo. Ao pedalar, sabemos que corremos riscos… não de quedas, ou de roubos, mas de encontrar a morte…..e ela parece vir ‘do nada’. Se os infortúnios ocorrem fatalmente, por que as pessoas aceleram as suas vindas, dirigindo sem prudência?

    Não se pode desistir de executar um esporte tão saudável em cidades, só por causa disso. Pelo contrário, deve-se acelerar a democratização e o respeito aos pedestres e ciclistas. Ou nunca sairemos do terceiro mundo!

  2. Ótimo texto e reflexão.

    É uma triste realidade que vivemos, no Brasil. Quantas pessoas irão morrer ainda? Será que é preciso mais que isso para os responsáveis tomarem uma atitude de verdade?

    Ontem, duas famílias foram unidas, mas por um motivo triste. Poderia ter sido evitado, basta apenas priorizar a VIDA.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s