Pedalinas

pedalinas_novembro09O que sinto ao ver uma mulher pedalando pelas ruas é uma imensa alegria. De alguma forma isso mostra que elas se sentem minimamente seguras nelas. Isso é fator sine qua non para que as cidades possam realizar sua vocação de serem espaços de encontro, onde as pessoas moram próximas e podem conviver nestes espaços compartilhados.

Um dado sobre o trânsito mostrado por Alessandra Olivato, psicóloga social, demonstra que em menos de 10% dos acidentes com vitimas fatais, mulheres estão na direção. Ela questiona a F1, de como apenas homens estão ali, dirigindo no limite e em como este “esporte” parece incentivar uma demonstração de virilidade dos homens atrás de volantes. Os números desta guerra não declarada podem ser vistos num recente documento publicado pela OMS. Um dos números, assustadores, é que metade das vitimas de acidentes de trânsito são pedestres, ciclistas e motoqueiros, os participantes mais vulneráveis do trânsito.

No uso destes espaços públicos muitas vezes usamos uma lógica do privado, mesmo por que a efetividade da fiscalização é mínima, como demonstra o que diz o rodas da paz. A mesma psicóloga cogita que esta disputa do espaço publico por meio de um lógica privada se dê em virtude de um ressentimento social.  Diz disso principalmente em relação a comportamentos agressivos de motoristas de ônibus e motoqueiros, que parecem na condução de seus veículos encontrarem o pouco espaço que lhes pode pertencer em uma cidade tão desigual. Podemos pensar em como estes espaços públicos baniram das ruas as crianças, tá, isso fica para um outro dia…

Descendo de carros grandes e mega protegidos moças, que muitas vezes usam estes como escudo para enfrentar as ruas, demonstram a possibilidade de uma melhoria nas relações com estes espaços. Sinto alegria ao ver moças pedalando, que muitas possam usar a cidade desta forma!

Anúncios

3 Respostas para “Pedalinas

  1. “Descendo de carros grandes e mega protegidos moças, que muitas vezes usam estes como escudo para enfrentar as ruas, demonstram a possibilidade de uma melhoria nas relações com estes espaços.”

    E tenho orgulho de dizer que não sou uma das moças que desceram do carro, nunca tive condições de ter um e quando e se tiver um dia, quero continuar firme nas minhas convicções, não me deixar levar por um simulacro.

    Na verdade não me sinto segura quando estou pedalando, não em relação ao trânsito em si, apenas em relação a assaltos. Mas posso dizer que me sinto mais forte, porque percebo mais a potencialidade do meu corpo e tb me sinto mais poderosa, pq posso fazer coisas que nem a pé e nem de transp. público poderia e, pra terminar, mais conectada com a vida, pq as sensações que sinto qd o vento me massageia, a concentração no meu caminho e nos meus movimentos, e outros detalhes que não percebemos a importância, o tamanho, a forma e o significado no cotidiano, se tornam únicos diante de um guidão.

  2. é como diz um amigo meu.. só saberemos que essa cidade é minimamente decente e humana quando mulheres puderem pedalar sem medo nas ruas de SP.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s